Abordagem e Importância da Técnica de Corrida

A Corrida

O Atletismo é uma modalidade estruturante para todos e para toda a vida, uma vez que em qualquer idade e em todos os lugares é possível correr, saltar e lançar.

A corrida é um elemento fundamental na grande maioria das disciplinas de atletismo. Quer se trate de um atleta de 100 metros ou da maratona, o movimento que utilizam durante os treinos e as provas é a corrida. Correndo mais depressa ou mais devagar, quanto melhor for a técnica de corrida de um atleta, mais eficaz ela se torna, menor é o dispêndio de energia em cada passada de corrida e, obviamente, melhor será o resultado.

Assim, a aprendizagem, treino e consolidação da estrutura técnica da corrida, é um trabalho fundamental nas etapas de formação dos jovens atletas, e um treino que está sempre presente ao longo da carreira dos velocistas, barreiristas, saltadores e meio-fundistas.

Embora a técnica de corrida assuma uma maior importância nos jovens, altura mais apropriada para fazer este tipo de trabalho, nos adultos é sempre possível melhorar ou aperfeiçoar a forma de correr, não obstante que cada atleta tem a sua forma própria de correr.

Uma boa técnica de corrida é sobretudo importante a dois níveis:

  1. Está diretamente relacionada com a velocidade, ou seja, quanto melhor for a técnica de corrida de um atleta, mais rápido corre;
  2. Uma boa técnica de corrida permite uma corrida mais económica e eficaz.
Fases da técnica de corrida Dicas CEFAD photo-01

Na técnica de corrida existem duas fases:

  • Fase de apoio (esta fase pode ser subdividida em apoio e impulsão) 
  • Fase de voo (esta fase pode ser subdividida em balanço e recuperação).

Fase de Apoio

Fases de Apoio Dicas CEFAD photo-01

Esta fase pode dividir-se na fase de apoio à frente (desde que o pé toca no solo até passar na vertical do Centro de Gravidade) e na fase de impulsão (desde que passa na vertical do Centro de Gravidade até deixar o solo). O principal objetivo é minimizar a desaceleração durante o contacto com o solo e minimizar a fase de impulsão.

O principal objetivo é minimizar a desaceleração durante o contacto com o solo e minimizar a fase de impulsão.

A fase de apoio é determinante na corrida de velocidade, pois só durante o contacto do pé com o solo é possível produzir aceleração. Os principais aspetos técnicos a ter em conta durante esta fase estão relacionados com as caraterísticas do Ciclo Muscular de Alongamento Encurtamento (CMAE) e com a força reativa, que é a capacidade física que mais influencia esta fase da passada de corrida.

Fase de Voo

Fases de Voo Dicas CEFAD photo

Pode dividir-se na fase de recuperação (desde que o pé perde o contacto com o solo até passar na vertical do Centro de Gravidade) e na fase de balanço (desde que o pé passa na vertical do Centro de Gravidade até voltar a tocar no solo). O objetivo é maximizar o trabalho da perna de impulsão e preparar o atleta para o apoio seguinte.

A fase de voo começa quando o pé perde o contacto com o solo no final da fase de impulsão. Nesta altura, o joelho da perna de impulsão deve fletir rápida e acentuadamente durante a fase de recuperação para obter um balanço curto e pendular que vai permitir uma elevada frequência da passada.

Na fase de recuperação devem evitar-se movimentos de grande amplitude com o pé a passar demasiado atrás e acima. Na fase de balanço, o joelho deve mover-se rapidamente para a frente e para cima para permitir uma boa impulsão, o aumento da amplitude da passada e também para preparar o movimento em “griffé” do próximo apoio

Exercícios de Técnicas de Corrida

No sentido de aperfeiçoar a técnica de corrida, e consequente melhoria na performance do atleta existem muitos exercícios que podem e devem ser utilizados.

A maioria dos exercícios são de reforço muscular ou coordenação e outros mais técnicos e específicos para a corrida, sendo todos essenciais uma vez que contribuem para a economia da corrida, tornando-a mais eficaz.

Skipping Baixo

Caraterísticas Técnicas mais importantes:

  • Olhar dirigido para a frente;
  • Bloco Bacia/Tronco na vertical;
  • Apoio sobre todo o pé, desenrolando-o até à região mais anterior;
  • O joelho sobe apenas o suficiente para que o pé perca o contacto com o solo;
  • O balanço dos braços é muito reduzido. Deve-se progredir através do desenrolar do pé, em ação circular, de pequena amplitude

O Skipping Baixo permite uma grande frequência gestual, devido à ligeira subida dos joelhos. Desta forma, o principal objetivo deste exercício é conseguir uma grande frequência, sem alterações significativas da postura corporal, do trabalho dos braços e da descontração.

Skipping Médio

Caraterísticas Técnicas mais importantes:

  • Olhar dirigido para a frente;
  • Bloco Bacia-Tronco na vertical;
  • Apoio sobre o terço anterior do pé;
  • A coxa forma, com o bloco Bacia-Tronco, um ângulo de aproximadamente 120º;
  • O balanço dos braços é de média amplitude. Deve-se progredir em ação circular de média amplitude, com apoio ativo do pé, em griffée.

Skipping Alto

Caraterísticas Técnicas mais importantes:

  • Olhar dirigido para a frente;
  • Bloco Bacia/Tronco na vertical;
  • Apoio sobre o terço anterior do pé;
  • A coxa forma com o bloco Bacia/Tronco um ângulo de aproximadamente 90º;
  • O balanço dos braços é de média amplitude.

Como o Skipping Alto também permite uma boa frequência gestual, embora a subida do joelho até à horizontal faça com que os objetivos sejam diferentes, o principal objetivo é a manutenção de uma atitude alta e a simulação da fase de balanço à frente da passada da corrida, em que a subida dos joelhos, a extensão da perna de impulsão e o movimento circular das pernas, são elementos fundamentais.

Skipping Tibiotársico

Caraterísticas Técnicas mais importantes:

  • Olhar dirigido para a frente;
  • Bloco Bacia/Tronco na vertical;
  • Apoio do pé desenrolando até à região mais anterior; Membros inferiores em extensão;
  • Balanço dos braços muito reduzido. Deve-se progredir com apoios alternados de um e outro pé, exclusivamente à custa da flexão-extensão da tibiotársica, sempre com os membros inferiores em extensão.

Calcanhar Atrás

Caraterísticas Técnicas mais importantes:

  • Bloco Bacia/Tronco inclinado à frente;
  • Apoio sobre o terço anterior do pé;
  • Na fase final do balanço atrás, a planta do pé deve atingir a horizontal;
  • O balanço dos braços é de grande amplitude. Deve-se avançar em ação circular, com predomínio das ações de balanço atrás, com apoio em griffée e com uma ligeira inclinação à frente do bloco Tronco/Coxa.

O objetivo é simular a fase da recuperação da passada de corrida, conseguindo ao mesmo tempo um movimento descontraído e de grande frequência gestual

Skipping Perna Estendida à Frente

Caraterísticas Técnicas mais importantes:

  • Olhar dirigido para a frente;
  • Bloco Bacia/Tronco na vertical -Balanço à frente, perna estendida;
  • Apoio ativo de frente para trás;
  • O balanço dos braços é de média amplitude. Deve-se avançar de forma que o balanço à frente seja feito com a perna estendida, com apoio ativo de frente para trás e ligeira inclinação atrás, do bloco Tronco/Coxa.

Exemplos de Combinações

  • Passagem progressiva de skipping baixo para skipping mantendo uma elevada frequência gestual;
  • Skipping baixo e de forma alternada fazer skipping alto só com uma perna;
  • Saltos ritmados de pé para pé progressivamente mais rápidos;
  • Passagem de Skipping alto para corrida.

Considerações finais

O principal objetivo dos exercícios da técnica de corrida é exatamente a melhoria da técnica de passada da corrida de velocidade e também da corrida utilizada nas outras disciplinas do atletismo. Podem ser incluídos na sessão de treino em três momentos diferentes e com três objetivos diferentes:

  • Aquecimento
  • Treino Físico
  • Correção da Técnica de Corrida

Pelas suas caraterísticas os exercícios de técnica de corrida são excelentes para serem utilizados durante o aquecimento na maioria das disciplinas, principalmente nas que envolvem a corrida.

Nataniel Lopes
Nataniel Lopes

Licenciado em Desporto e bem-Estar. Mestre em Desporto e Saúde para Crianças e Jovens, na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais. Doutorando em Ciências do Desporto - UEX- Espanha

Bibliografia:

  1. ABRANTES, J. (2006) – quem corre por gosto – o treino da corrida. Edições xistarca

  2. FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE ATLETISMO (2012) – Dossier do Professor – Fundamentos Correr, Saltar e Lançar.

  3. PEDRO, F. & COLAÇO, P. (2002) – O Treino de Corredor de Meio Fundo – Reflexões e Propostas de Trabalho;

  4. RUBENSON, J.; HELIANS, D.; DENHAM, B. LIOYD, D. & FOURNIER, A. (2004) – Mechanical and Methabolic Characteristics of Walking and Running with and without an aerial phase. Proceedings of the society of London b: biological sciences

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